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Tudo pronto para a celebração do Grito 2022 na cidade de Patos

Em Patos, lutadores e lutadoras sociais se mobilizam para a celebração da 28ª edição do Grito dos Excluídos e das Excluídas. Na segunda-feira, 05 de setembro, a Comissão Organizadora esteve reunida para os encaminhamentos finais em vista da celebração do Grito na cidade de Patos.

A celebração do Grito, na cidade de Patos, vai acontecer aos 7 de setembro, na Concha Acústica, Praça Edivaldo Mota, a partir das sete horas, onde será servido o café da manhã. Por volta das oito horas, haverá um momento de acolhida, animado pelo MST, seguido por apresentações culturais e falas de representações populares que desenvolvem ações junto a populações em situação de vulnerabilidade social. Por volta das dez horas, as pessoas participantes sairão, em caminhada, até as imediações da Catedral de Nossa Senhora da Guia, onde em frente farão, um momento orante pela defesa da vida.

A 28ª edição do Grito dos Excluídos e das Excluídas, há 28 anos segue com o tema "Vida em primeiro lugar" e, neste ano de 2022, tem como lema a pergunta: "Brasil: 200 anos de (in) dependência, para quem?".

Na cidade de Patos, o coletivo que está na organização do  Grito é constituído pelas seguintes representações: Pastoral da Criança, Pastoral do Menor, Pastoral da Pessoa Idosa, Pastoral Carcerária, Fazenda da Esperança, Ação Social Diocesana de Patos, Seminário Propedêutico São José, Projeto de Ação Solidária, Casa da Misericórdia, Movimento Olga Benário, MST, UAC, UMAC, Sinfemp, mulheres acampadas no conjunto dos Sapateiros e no Serrote Liso.

A celebração do Grito ocorre com o apoio da CNBB. No dia 23 de agosto, Dom José Valdeci Santos Mendes, bispo de Brejo, no Maranhão, e Presidente da Comissão para a Ação Sociotransformadora da CNBB, enviou carta de apoio ao Grito 2022.

 

Carta de Apoio ao 28º Grito dos Excluídos e das Excluídas

Brasília, 23 de agosto de 2022.

Senhores Bispos, agentes de pastorais, lideranças!

O Grito dos Excluídos e Excluídas chega ao seu 28º ano com força e ânimo renovado, fruto da Campanha da Fraternidade de 1995, cujo tema era “Fraternidade e os excluídos” e o lema: Eras tu, Senhor?”. A 34ª Assembleia Geral da CNBB, em 1996, realizada em Itaici/SP, assume que “o Grito dos Excluídos será celebrado anualmente, em nível nacional, no dia 07 de setembro, retomando preferentemente o tema da Campanha da Fraternidade” (Documentos da CNBB 56, nº 129).

O tema permanente do Grito, Vida em Primeiro Lugar, nos convoca para ações efetivas em defesa de todas as formas de vida que se encontram ameaçadas. Ainda estamos em tempo de pandemia do coronavírus; todo o cuidado é necessário. Por isso, o nosso chamado à vacinação. Milhares de famílias sofrem por ter perdido seus entes queridos, fruto de uma cultura negacionista e da falta de vontade em resolver as questões da saúde. O avanço do desmonte de direitos sociais e do próprio estado democrático, com a disseminação da cultura do ódio, sustentada pelas notícias falsas manifestadas nas redes sociais são sinais do descaso pela vida.

Há que se destacar, ainda, o aprofundamento das desigualdades sociais, o aumento da fome, do desemprego, fruto do avanço do poder financeiro aumentando os lucros dos bancos, institucionalizando ainda mais os seus privilégios. O avanço dos grandes projetos sobre as terras indígenas, povos quilombolas, pescadores e as agressões ao meio ambiente têm sido outra marca da atual política. E com isso o aumento da violência contra defensores e defensoras de Direitos Humanos, como foi o caso de Bruno e Dom, na Amazônia, e de lavradores e lavradoras barbaramente assassinados.

Diante deste cenário, o lema deste 28º Grito dos Excluídos e Excluídas nos convida a refletir sobre este Brasil dependente “Brasil: 200 anos de (In)dependência. Para quem?” Queremos que os rostos e gritos de todas as realidades sejam vistos e ouvidos! E que, num grande Mutirão pela Vida, somado aos mutirões da 6ª Semana Social Brasileira mobilizados pelas Igrejas, pastorais, organismos, movimentos populares e pessoas de boa vontade, possamos defender e garantir os direitos dos pobres e marginalizados. É marca histórica do Grito, desde seu início, a defesa da democracia e da soberania dos povos!

Convidamos a todos(as) a apoiarem e assumir o 28º Grito dos Excluídos e Excluídas em nível local, regional e nacionalmente. Que o Grito desperte em nós indignação contra toda forma de injustiça e nos fortaleça na construção do Reino de Deus que começa aqui agora e na luta pelo Bem Viver e da Terra Sem Males.

Dom José Valdeci Santos Mendes

Bispo de Brejo - MA

Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Ação Sociotransformadora

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